V. V. Gogh
Gestação
Depois de amar e amar e amar um pouco mais amar,
é como que depois de sofrer e sofrer e sofrer,
uma escolha triste,
desejo e medo,
dois papéis de parede,
insistentes.
Se por amor ou por temor,
vai que engraviste do que é teu,
não esqueça de ser renitente,
Nesse liquefaz de nutrientes que nem se sabe bem qual bem que tem,
pergunte-se com fervor, que quero parir?
Se é que há espaço para certezas lógicas...
Mas é sempre espaço para vontadear,
mesmo diante de esquisitices,
Aceite, mas pense em seu bem,
Você, dobrado ao meio, perdido no espaço,
com a garganta cheia de alguma coisa,
e as tetas, tetas!
Barriga nem se fala,
embrulhos de vislumbres,
marés de março em começos de sonho,
O corpo sente tudo.
Tsunami! Ânsia!
Quando será a hora?
De que?
Quem, quem, quem, quem?
O qu ê, o quê, o quê?
Preste atenção,
siga o rastro de seu olho
e vá parir.
Mas Como parir? Se até isso desaprendi.
Eu não sei o que se passa em meu corpo.
Eu perco poemas.
Eu reclamo dos dias.
Eu não sei exatamente o que fazer de minha vida.
Eu quero deixar alguma coisa boa na existência,
então deixo, para além de todo esse medo,
O ardor de ser movida pela vida
e suas estações.
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