domingo, 31 de mayo de 2015

Eu não estava só, estava em má companhia.


Eu não estava só, estava em má companhia. Sexta-feira eu tentava me concentrar em simplesmente vivenciar a natureza das pedras e água na praia. Tentava ensaiar: observando, respirando, caminhando. Tentava encontrar um corpo para estar entre aquelas pedras, em sintonia. Hesitei inúmeras vezes, queria entrar na água, mergulhar, afundar a minha cabeça ali, ficar submersa de água... tinha medo: da rebentação que quebrava nas pedras e explodia o branco espuma inundando aquela serena "piscina" que antes havia ali. A água ficava turva e eu não podia ver embaixo. Demorei algum tempo observando esse mecanismo que acontecia de tempos em tempos. O mar é assim, viração e calmaria. Poderia entrar no entre rebentações, mas não me senti segura, achei que me assustaria com a água que subiria, que ia desejar sair correndo de lá e bom, ali tem pina-unas, não queria pisa-las. Então mapeei onde estavam as pina-unas, vendo-as de cima quando a água estava límpida, mas ainda assim não entrei depois disso. E escrevo agora porque não entrei com uma indignação de quem se pergunta e ao mesmo tempo constata, porque mulheres se matam?! Porque dizem que mulheres são loucas, histéricas?! Porque dizem que mulheres são melancólicas?! Porque mulheres tem ataques e atacam e cospem e gritam e xingam e golpeiam?! Porque mulheres sentem medo de andarem sozinhas?! Porque elas são permanentemente violentadas?! Porque o mundo exibe em seu entorno simbólico muitos nãos às nossas expressões?! Eu não estava sozinha, estava em má companhia. Na sacada que separa a rua da praia estavam três homens, jovens. Eles me viram nas pedras e começaram a gritar suas palavras de ordem "morena, cuidado morena", "hein mãe, smuuuuack", aquelas beijos estalados nojentos que são sua arma poderosa. Tinha um deles que era o mais pirracento e não deu trégua, falando um monte de merda que só aumentava o meu ódio e vontade de dar uma de louca, subir as escadas e socar a cara dele, tanta raiva que tinha de todas as situações em que temos de ser passivas diante de agressões assim. "Eles são mais fortes", "eles podem estar armados", "eles só estão brincando" e todas essas justificativas que apenas nos mantêm passivas. Lembro que quando tinha 10 anos um homem passou por mim, passou a mão em minha bunda e me chamou de "Gostooooosa", eu reagi na hora, e gritei "Se fuder seu viado!". Pra mim ser viado não é problema algum, mas sabia que pra aquele machão seria. Minha mãe na hora reclamou comigo. Disse pra que eu não fizesse aquilo mais, que ele podia voltar e me bater ou pior "me mostrar quem era o viado". Minha mãe também havia sofrido agressões e me falou isso pois tinha sempre medo do pior, como eu, como todas nós, medo de sermos estupradas. Eu tenho muito ódio disso. Tenho ódio de ter sempre esta sombra social, que está inconsciente e também consciente e interfere nas decisões que eu tomo, nos lugares por onde ando, o que eu deixo de fazer... não adianta, quando um babaca não tem o que fazer, ele estupra. E eu tenho que ter medo disso, eu tenho que vomitar toda vez que ouço uma notícia dessas, eu tenho que vomitar quando lembro de minhas antepassadas e suas relações senhoris, eu tenho que vomitar quando sei que isso acontece todo dia, que todo dia mulheres tem que temer seus e por seus corpos de mulher, por suas vidas de mulher. Tudo isso estava comigo nesse dia. Não tinha senso de humor. Tinha senso de realidade crua. As vezes eles se aproximavam da praia, como se fossem vir onde eu estava. Falavam alguma frase ridícula. Eu comecei a gritar minha poesia "A rua é minha, a casa é minha, o corpo é meu, a vida é minha...", mas não tinha força suficiente. Não sabia pra onde falava. Falei pro mar. Querendo falar pra eles. Aí pensei "eles não podem fazer nada contra mim... se vierem aqui perto eu faço um escândalo". Entrei no mar, por trás da rocha e aí o idiota maior gritou mais ainda. E olhe que eu estava de short e camisa. Pensei "será que eu estou emanando medo? Será que meu corpo está traduzindo a eles que eles podem gritar em minha direção, interferir no que estou fazendo por que estou com medo?" Claro que estava fragilizada, pois estava experimentando o ambiente, estava me permitindo conhecer e perceber que o pior dos problemas não eram as pina-unas, ou a rebentação. O problema não estava no mar, estava na terra, o problema era humano, eram homens exercendo seu direito social de importunar mulheres. Eu respirei algumas vezes na água. Sai, comi uma tangerina, botei a roupa seca e subi as escadas pronta pra esganar eles e o seu "já vai mãe" "quero te conhecer". Ainda chegou um quarto filho do estopô pra fazer parte do time. Passei direto, joguei a casca da tangerina com raiva na lixeira e apodreci um pouco por dentro. Lembrei do dia que cuspi na calçada quando um cara me falou uma merda qualquer, cuspi pra ele ver, e falei que tinha nojo. Lembrei de outra vez que dei "banana" pra uns operários numa obra e xinguei, lembrei de outro dia quando atravessava o semáforo e imediatamente fiz uma careta, não uma careta bonitinha, mas uma careta de bruxa, de mulher búfalo pra um motoqueiro. Lembrei de como chateava e era assediada pelo "chefe" da agência bancária que trabalhava porque não era legal como ele achava que eu tinha de ser rindo de suas piadas idiotas, lembrei, lembrei, lembrei... mas sai dali com minha dor, porque nem sempre podia responder, nem sempre encontrava saída. Saí revolvida, pensando em minha atuação, em minha situação, sociais, em como nos arrancam pedaços diariamente, em o que fazer pra continuar sendo forte, sendo atriz, sendo mulher, tendo esses outros olhos, abrindo outros olhos do meu corpo, percebendo mais, percebendo o quanto da minha dificuldade de mover, de me expressar estão roubadas pelas agressões históricas do dia-a-dia. Eu apenas tentava ensaiar, respirar com o mar... e me tornei o alvo, estava no palco da vida... entendi minhas poesias sopradas, outra vez entendi completamente todas as nossas falas sangrentas.

jueves, 28 de mayo de 2015

Return to home

"before I have cancer I using my life to informing art, after I have cancer I using art to informing my life" Tenho 29 anos. Não tenho 20, 30, 40, 50 ou 60. Tenho 29 anos. Que isso me diz? Sinto a morte perto... porque será? Será porque apenas agora penso na morte de uma maneira aberta, profunda em mim? Será porque abandonei meu caminho, ou estou perdida em meus desejos? ou será apenas porque viver e morrer são partes interdependentes da vida? Louvo a vida! E louvo a arte, pois sinto que passei a viver depois da arte, ou quando ela fazia parte de meus dias, numa música tocada numa viagem, num horizonte que passava a conhecer, na minha precoce experiência de perder.Tenho 29 anos. Não tenho 60. Mas sinto como pudesse ter sessenta anos a qualquer instante e mesmo agora enquanto escrevo. O corpo é minha morada. A consciência, que é? Muitos anos estive dormindo, pensa hoje minha mente racional que acha que foi aberta por esta arte. Mas enquanto dormia, enquanto tinha 8, 11, 17 anos... 24, eu não estava só, eu tinha a água, e o vento, e o horizonte no qual derramar meu olhar, meu pranto de não saber, mas sentir, apenas sentir que algo estava querendo me dizer algo. Algo? É preciso significar algo? É preciso traduzir em linguagem que se entenda? Que linguagem que se entenda? Que linguagem? Tenho medo. Ele é linguagem. Está aqui, me diz que sim, me diz que não, me diz que talvez, me faz, me desfaz, me refaz. O medo me guia. Triste medo...O medo me detém algumas horas a meditar no escuro, e começo a ver tudo que não podia ver. Quando irei dançar com todas elas? Todas essas imagens, e ramagens que balançam em janelas? Todas essas agonias que são meus desejos? Quando irei dançar com a morte e sorrir, e dizer a ela o quanto amo viver com tudo que faz parte do planeta Terra, do infinito universo que não posso ver, mas suponho? Quando a amoite me alegrará com sua existência irrecorrível? Quando ela será uma amiga que me ensina os mistérios de ser parte de um todo maior chamado vida?Dançar com os mortos... assim faz o butô... assim me ensinou Tadashi... assim tento caminhar pelo mundo, como um resgate, uma devoção a tudo que viveu, bem ou mal e que deseja continuar a ser vivo em mim, através de mim, renovado, célula por célula... uma nova chance de ser unitário, mas não só. Eu gosto de dançar com o vento, e com a água... da terra me ascende um forte desejo de escutar e respirar o chão... do fogo eu ainda pouco sei, ele sempre me queima, ou me enlouquece por parecer taxativo, "É isso! É assim ó!". As árvores descobri recente que dançam, coisas de anos, de 2, de 3 anos...mentira! Sempre soube que dançam, que são seres que te levam para o céu, ou para o centro da gravidade. Agora tenho 29 anos e algumas perdas. Tenho 29 anos e não tenho mais os mesmos joelhos, o mesmo sexo, os mesmos seio, a mesma coluna, os mesmos olhares... tenho mais e tenho menos... tenho perdas que me fizeram refletir, seja por ser uma perda física, seja por ser uma perda metafórica do corpo, me fizeram refletir, Porque? Pra que? A vezes tenho a certeza de que tenho 60 anos. As vezes tenho a certeza de fazer completamente parte da existência. O quero da natureza? Dar a ela. Aprender. Me curar. Me dissolver. Dissolver essas dores que não são minhas, são dos anos. Uma vez me escondi do trovão. Não podia dormir. Outra vez dancei de pés descalços na chuva, pisando em grama verde. Um dia imaginei que entrar numa cachoeira me encheria de cobras. Num outro percorri sozinha um caminho que antes me dava medo, pra chegar `a mesma cachoeira e me desligar um pouco lá, em seu templo e altar. Sempre preciso voltar a esta cachoeira. Sempre, pois tenho louvor e medo dela. Porque sei que seu nome Purificação não é `a toa. Quanto mais tempo permaneço parada, mais enraízo. Quanto mais tempo me demoro me indisponho a ir. Nesse sentido meu elemento guia é o vento que me faz querer sair, por sementes, na boca de pássaros, num sopro profundo, durante a hora de deitar. A natureza dança, entregue ao vento, e uma folha seca levemente caindo me lembra do adeus. Pausa pra mais uma canção. Isso escrevi em contemplação de mato. Tem imagens que me aterrorizam, tem momento que estou em sintonia com o obscuro. Porque é obscuro? Porque me deitar no meio do mato pode me deixar angustiada, ou subir num manguezal pode assustar minha irmã e consequentemente assustar `a mim? A natureza é crua. Mas meu desejo sempre e mais é aprender a sorrir, sorrir, sorrir, mais e mais. E chorar, quando tiver de ser, quando tiver de chover... mas não porque não vivi. Desejo sorrir e chorar de viver, não de não viver.Sorri e chora de descobrir, os anos, a vida. Viver uma arte de cura, de consciência... muito mais que uma angústia curva. Ser a arte que me guia para uma vida plena.

Razon de Vivir

Hay una palabra no dicha. Cultivo? Si no sé qué plantar, Si no sé que es el amor, ni la paz. Sabes? Mira a tu espalda ... ¿Qué ves? El llamado "realmente vivir?"? Porque aquí esta la falta de correspondencia, verbos que no son agradables para nadie, Como "morir" y "daño", Y las palabras se mezclan con la boca sin saber "Lo que me hará a decir?" Yo soy la locura de lo que digo? Yo soy mis pensamientos tristes? O un día azul? Yo soy las tragedias que me dicen el mundo, que me desencantan? Soy, sólo sé, soy el aire desta tierra, como los sonidos y los cantos muertos que nadie me dijo, la historia que no existe en las noticias. Soy mis pies corriendo libres por la tierra en algún lugar donde mis pies del tierra pueden vibrar, cómo mi corazón, sin dolor, sin parar, sin perder de vista los pájaros, el viento, el eco de mis deseos muertos que me hace incómoda y no me dejan dormir, en mi estrecha y amplia vida del mujer. - Adriana Gabriela https://www.youtube.com/watch?v=Uf9u7JjX5jA

Tara Goudarzy 2




Metáforas... sobre o ir e o deixar ir... O maior de todos os acordos que uma mulher deve fazer a si mesma, inclusive quando poeta, é não sucumbir `a dor de estar no mundo. A poesia recria o mundo, a poesia é a emanação de um mundo possível. É dor de parto.

A morte aduba a vida

Um coração grita por novos caminhos. Há nele adereços de melancolia. Ainda que a estrada aponte pra ida, há sempre uma volta, uma dor de partida, um caminho que volta. Por onde passa flores crescem. Outras tantas morrem... E o que é a estrada senão a andada em estações de vida-morte-vida? Já que a estrada é também fértil pelas flores mortas, meu coração cultiva Outros campos, outras cores, outros sabores Sob o falecer das flores idas. Em suave desapego Tudo nasce e renasce. Não duvido, A morte aduba a vida! - Adriana Gabriela

Nas escolas...



Suicídios que não são suicídios:

http://www.pagina12.com.ar/diario/psicologia/9-273633-2015-05-28.html


`A Lua

É quando durmo, quando não posso ser simplesmente eu, quando você não me olha de frente, que sonho, e tenho medo, um medo que só te divido pela metade, mesmo que quisera encostá-lo todo em você, como um quebra cabeça mosaico... É o meu coração ensaguentado, pulsante de esperança e de desesperança, é uma vontade de descobrir e chorar o outro lado da face que não se toca, não me toca não te toco… Haverá um amor profundo aqui na beira rasa de nossa "sociologia”? Haverá um quê de viver que não esteja explicado por teorias? Me leve pra fora. Me mostre a saída. Te levo pro mar agora, Te levo pra onde tenha amor… canto de vida meu coração cheio de amor. Quando me sentirei de toda amada? Pra mim e pra ti, a ausência da materialidade, a concretude de ser alma, almas livres, de transbordo e água. Estou triste vou adquirindo hábitos de te querer Mais uma vez… posso estar errada, acreditar que não seja apenas mais um sonho e que possa me sentir completamente mulher caminhando com você. Me apresente o dia e a noite, as horas, um pouco de lógica, de poesia mas não permita que me veja todo dia com as mesmas formas, a mesma luz ou sombra, a mesma roupa nova ou gasta, o mesmo gesto pra sofrer e não ver saída. Pra poder pintar uma parede crua ou cheia de substratos, imaginação… volto ao sonho, sinto medo me diga uma palavra por favor. - Adriana Gabriela

Tara Goudarzy

Comentário

A poesia não é a minha arma. Eu não estou em guerra. A arte não é a minha arma. Eu não estou em guerra. A poesia é a minha voz vivificada, o corpo dilatado, a consciência de atuar... A poesia é a minha voz pedindo vida. A arte é caminhar com essa vida poética. - Adriana Gabriela

Sem título

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Alma Feminina

Retornar, eis tarefa mais difícil! Lembrar de ser... não esquecer. A busca não é por poder, é por poder ser, mulher, num país de homens, num mundo masculino, em dias de guerra, a espera, letal. Morre-se muito, todo dia, morre-se muito, por covardia, morre-se muito, quadro nefasto... Angario flores no seio e ventre da mãe de tudo. Haverá um dia, e este dia é hoje, em que a alma feminina virá nos despir, virá nos vestir, de flores, de amores, de cores, de odores, de terra, de vida! Aí, almas renascidas, mulheres levantadas, homens em comunhão, andaremos juntos, Sequer pensando em armas, Sequer planejando dominação, Opressão, num jeito especial de fazer política, de fazer amor e de dizer não. Haverá um dia, e esse dia é hoje, em que a lentidão do gestar será nosso maior conselho. Pausar... Pousar os olhos, o corpo, no substrato da terra, na andança, na bem aventurança, no explícito inaudível, silêncio, E por ser lento, nos gestará em forma de... em formas de... Descobriremos! Renasceremos! Inauguremos uma nova era, Feminina, pausa ativa, Mulher! - Adriana Gabriela (Imagens recolhidas na internet sob a busca "Feminino Sagrado"- Frida Kahlo e outros)

Meditação sobre conchas

"...as conchas marinhas e as ostras expressam o simbolismo do nascimento e do renascimento. As cerimônias de iniciação compreendem uma morte e uma ressurreição simbólicas; a concha pode significar o ato do nascimento espiritual (ressurreição) com tanta eficácia que ela assegura e facilita o nascimento carnal" - Mircea Eliade (Imagens e Símbolos)

A Lua desce... metade cheia

Eu tenho tanto medo Lua. Tanto medo. Parece que me perdi. Parece que fiquei do outro lado, onde ninguém pode me ver. Sombreada. Você me ilumina incrivelmente bela e eu não tenho seu domínio. São só nuvens e uma multidão que não posso compreender. Você me fascina e eu choro, choro por não compreender, sequer este mundo, quanto mais o seu, pedra que brilha luz. Pensar em astros não me faz mais luz. Pensar em ti, lua, me encarrega de querer saber mais, mais e mais sobre a vida, inconcebível. Bebo do seu veneno. É doce e amargo. Amarelo e negro. É ouro brilhando acima de luzes. São pequenas partículas em devoção e eu aqui, sem saber. Tenho medo. Me diz. Tenho medo, e muitas vezes nem sei o que fazer. Tenho medo de estar só. Não ser mais que um astro solitário. A brilhar, eu sei. Um astro solitário a brilhar, por traz de nuvens. Que sentido tem tudo isso? Você se põe e minha face é bela. Tudo que esperei rever. Como aquele domingo, dançando luz, céu, luar em mãos. A Ilha de Itaparica agradece as suas telas. Mal posso respirar se lembro dela. Luar caindo por traz de sol. Quanta poesia
! Você me lembra que nem tudo é isso e eu te amo. Ficarei a noite inteira te vendo ir, descer farta, torta, guia maior das horas de sonolência, perfeita saúde em seu ser. Afrodite. Mistério de vida. Minha alma cativa quer fugir. Eiiihhh. Bola amarela, dissolve entre as nuvens formas mil. Some e aparece. Se deita em nuvens. Vira flecha. Me banha de pressa de te ver entrar no mar. Cortante. Atravessa. Cria pêndulo. Mistura-se. Tece ninho. Faz meu coração bater miúdo. Penso em te abraçar... e não tenho mais medo. Te espero curar minha lágrima com seu ardor de fogo. Incandescência que reluz em minha porta. Me abre. Transpassa em mim meu coração. Cadê ela? (Silêncio...) A lua desce. Sumiu.

martes, 26 de mayo de 2015

Estar no mundo

(...)

Estar no mundo e estar na poesia talvez suponham algo parecido: desvalorizar qualquer ideia ou vestígio de normalidade, de habitualidade, desvalorizar esse dar de ombros que significa que "as coisas são assim mesmo". É ali que morre parte do mundo e, também, parte de nos mesmos. Se escutamos de verdade, se olhamos de verdade, se algo nos acontece de verdade para além do relato agradável de nossa existência, as interrupções comandam a linguagem, oferecem uma espécie de ditado: "Escrever, então, olhando em teus olhos, desejando teu ditado".

É ao mundo, a quem gostaria de olhar nos olhos, é ao outro a quem rogo pelo ditado.

O poético é casual, Carlos Skliar



sábado, 23 de mayo de 2015

Atelier

Gabriela,

entramos na segunda semana de ensaios, não é? Nessa semana temos dois encontros previstos: segunda e sexta. Você pode propor até mais 6 textos. Por exemplo três na segunda e três na sexta. Se quiser propor menos, pode propor dois e dois, ou dois e três...

Os textos restantes deverão ser escritos entre a terceira e a quarta semana... Se tudo der certo, gostaria que essas semanas (terceira e quarta) nos encontremos três vezes.

Para não correr tanto, talvez possamos pensar numa primeira apresentação na ultima semana de julho. O que acha?

Se quer postar textos e desenhos sobre suas impressões dos encontros, aproveite também esse espaço. Nosso blog é como uma mesa de café na qual dividimos rascunhos, materiais, ideias, desejos... na verdade é como uma mesa de café que cada um ocupa em um tempo diferente e na qual deixa suas coisas para que o outro as encontre quando vier...



nils, udo, nils-udo, exposition, photo, photographie, peinture, peintures, sculpture, sculptures, l`adresse, adresse, musée, musée de la poste, la poste, paris, rétrospective, interview, portrait
Nils Udo






viernes, 22 de mayo de 2015

Gotija

As manhãs chuvosas são meu melhor remédio. Posso tomá-las e chorar. Sano em água meu concreto barro seco, para ser lama entre vértebras cervicais. Gosto de Frida. Como ela... tenho coluna quebrada e verso. Há quanto tempo não sinto esse cheiro... esse cheiro de manhã, de me dar as mãos, de me ver no céu e no vento. Eu gosto da chuva. Como gosto! Sou ela caindo, gotejo.



 Frida Kahlo

A mulher que me leva

Minha loucura não tem hora, Sai toda de mim E exige que eu me mova. Ela grita que os erros são todos meus! Os sonhos são todos meus! Meus caminhos, eu quem passo! Minha loucura não tem hora, Me empurra pra fora do muro, Me insulta em insinuações de covardia, Me manda pra boca do mundo... Minha loucura me faz sempre querer ir Pra um sem nome cheio de mistério.



Pablo Picasso. Mulheres Correndo na Praia. 1922.

Anna Halprin: Returning home












Assistir o filme:

http://www.cultureunplugged.com/play/2300/Returning-Home

jueves, 21 de mayo de 2015

Dalí

Palavras da canção da mulher ciclo em rotas

Palavras da canção da mulher ciclo em rotas A rua é minha. A casa é minha. O corpo é meu. A vida, ó Deusa, é minha. Reivindico. Tenho boca, e ela é enorme. Suspiro, Grito, sons de precipício, me lanço grave e aguda. Ando e caminho por onde quero e desejo. Tenho apenas início... Vou ali olhar e é você quem me leva Nunca quis a coisa certa. Pra andar comigo, mínimo ser descoberta, entender de transfigurescência, das fases da lua... e se for de pedra, que role! Despreciso de permanência. Atravesso a bamba hora do não saber, becos e vielas, reentrâncias... naquilo que acham sujo estou. Não me convenço em ser adereço, Chuva viva sou Porque os rios também são meus, as praias, fortes e rebentos... O desgosto, o triste o feio, aceito todos, e a morte... bela dama que sobe ao altar numa noite de lua crescente, é minha chama e vem orar recostada comigo, em templo, por todas as coisas que me dão medo, pelo filho que ainda não tive, pelo ventre grávido de tudo, pelo amor que nasce em meu seio, pelo meu irmão, irmã, pais... que ficaram a beira do caminho, me sustentando em seus lamentos, entre a luz do sol e a escuridão. Materno todos, como materno a mim, `as estrelas frutas de céu noturno, árvore cadente, `a beleza de vomitar também em beiras de caminho, o que não necessita mais andar comigo, `a beleza de deitar-me com a lua, descansar nos olhos dela, clarão de corpo comido de relva... Para ir ter com meus pés, lá, onde mora a bela dama. lá, onde moram os meus medos. lá, onde sou raiz em movimento. lá, onde tem paixão e desassossego, desejo e gozo de ser mistério... Vou, simplesmente vôo.



La charmeuse de serpents, Henri Rousseau

Marés

Marés. Uma lágrima se aproxima de um verso porque cai sem sentido métrico mas cai poesia à espera sempre à espera de uma outra lágrima tal qual uma palavra que não se completa Quando rio Copiosa, tempestade salgada em mar as lágrimas são versos-desespero que não cansam, não cessam, não bastam são o texto perfeito para um fim de amor ou para uma carta de amor São di-ssolução É maré limpando água É o sim e o não de mãos dadas É contradição de maré que arrebenta o mar nas pedras, no cais, na beira... transbordando... transformando... pra trazer paz Por isso quando o olhar marejo sei é tempo de poesia porque poesia é de tanto em tanto água e sal feito lágrima, feito mar versos simples palavras simples que unem tudo aquilo que sentimos aos transcursos da maré É uma parte de nós que volta a fazer sentido como um gole de água cedido ao rio como um verso colocado ao fim do dia para acabar o poema... Melancolia.


O beijo, de Roos Oliveira (gravura)

Pinturas de Dan Mc Caw

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art,peinture,découverte,émotion,partage,humain

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58.  Dan McCaw..  61x46cm  o-b   $8500.00.jpg



Dan McCaw - Silence

Fotografia de Barry Underwood



Fish II, 2003

Fotografias de Lee Eunyol
































(Iluminação com leds)

miércoles, 20 de mayo de 2015

presentes



no estamos en este blog, no estamos en un mensaje, no estamos en ninguna red, no estamos en un teléfono, no estamos atrás de una puerta, no tenemos una dirección precisa, no sabemos exactamente dónde ni cuándo,

aparecemos espontaneamente

en el encuentro de nuestros cuerpos con el asombro, con el temblor, con la belleza de conversar

y después?

después simplemente no estamos, no estamos.

Materiais

Os perigos do mundo, deste mundo: o amor, a leitura, o passeio e a escrita, em qualquer ordem.

Carlos Skliar, O ensinar como travessia


Odilon Redon


Yeux fermés

Poesia


Se

"Falar com desconhecidos significa não saber sobre o mundo de antemão, não conhecê-lo jamais, sentir-se parte de uma peça irremediavelmente descomposta, olhar para imensidão como se nunca deixássemos de ser crianças vivendo uma infinita infância."

Carlos, Skliar (O ensinar enquanto travessia)

Talvez escrever poesia seja conviver com desconhecidos...