jueves, 25 de junio de 2015

Primeiro bloco ou introdução (introdução)




Uma mulher aparece por trás de uns rochedos e caminha até a borda de um precipício. canta palavras inventadas que parecem lamentos, hinos ou gritos. (Essas palavras serão três. Serão retomadas ao longo da "peça" como transições, introdução, fechamentos...) Seus gestos transmitem abandono, sofrimento, renuncia, pesar, desespero e fúria... Parece que vai se jogar no mar. Porém sua tribulação se transforma pouco a pouco em um ritual de renascimento. 

A mulher se dirige então à beira de uma piscina calma de águas salgadas onde improvisa 
uma ode aos elementos, ás sensações, ao estar presente nesse lugar, nesse instante...

Depois dessa apertura, pronuncia uma das palavras musicais inventadas.  Essa palavra introduze os três textos do primeiro bloco.

Um coração grita por novos caminhos. Há nele adereços de melancolia. Ainda que a estrada aponte pra ida, há sempre uma volta, uma dor de partida, um caminho que volta. Por onde passa flores crescem. Outras tantas morrem... E o que é a estrada senão a andada em estações de vida-morte-vida? Já que a estrada é também fértil pelas flores mortas, meu coração cultiva Outros campos, outras cores, outros sabores Sob o falecer das flores idas. Em suave desapego Tudo nasce e renasce. Não duvido, A morte aduba a vida!


As manhãs chuvosas são meu melhor remédio. Posso tomá-las e chorar. Sano em água meu concreto barro seco, para ser lama entre vértebras cervicais. Gosto de Frida. Como ela... tenho coluna quebrada e verso. Há quanto tempo não sinto esse cheiro... esse cheiro de manhã, de me dar as mãos, de me ver no céu e no vento. Eu gosto da chuva. Como gosto! Sou ela caindo, gotejo.


Retornar, eis tarefa mais difícil! Lembrar de ser... não esquecer. A busca não é por poder, é por poder ser, mulher, num país de homens, num mundo masculino, em dias de guerra, a espera, letal. Morre-se muito, todo dia, morre-se muito, por covardia, morre-se muito, quadro nefasto... Angario flores no seio e ventre da mãe de tudo. Haverá um dia, e este dia é hoje, em que a alma feminina virá nos despir, virá nos vestir, de flores, de amores, de cores, de odores, de terra, de vida! Aí, almas renascidas, mulheres levantadas, homens em comunhão, andaremos juntos, Sequer pensando em armas, Sequer planejando dominação, Opressão, num jeito especial de fazer política, de fazer amor e de dizer não. Haverá um dia, e esse dia é hoje, em que a lentidão do gestar será nosso maior conselho. Pausar... Pousar os olhos, o corpo, no substrato da terra, na andança, na bem aventurança, no explícito inaudível, silêncio, E por ser lento, nos gestará em forma de... em formas de... Descobriremos! Renasceremos! Inauguremos uma nova era, Feminina, pausa ativa, Mulher!

Outra das palavras musicais serve agora como introdução  para o segundo bloco que começa com uma canção.

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