La charmeuse de serpents, Henri Rousseau
jueves, 21 de mayo de 2015
Palavras da canção da mulher ciclo em rotas
Palavras da canção da mulher ciclo em rotas
A rua é minha.
A casa é minha.
O corpo é meu.
A vida, ó Deusa, é minha.
Reivindico.
Tenho boca, e ela é enorme.
Suspiro, Grito, sons de precipício,
me lanço grave e aguda.
Ando e caminho por onde quero e desejo.
Tenho apenas início...
Vou ali olhar
e é você quem me leva
Nunca quis a coisa certa.
Pra andar comigo, mínimo ser descoberta,
entender de transfigurescência,
das fases da lua...
e se for de pedra, que role!
Despreciso de permanência.
Atravesso a bamba hora do não saber,
becos e vielas,
reentrâncias...
naquilo que acham sujo
estou.
Não me convenço em ser adereço,
Chuva viva sou
Porque os rios também são meus,
as praias, fortes e rebentos...
O desgosto, o triste o feio, aceito todos,
e a morte...
bela dama que sobe ao altar numa noite de lua crescente,
é minha chama
e vem orar
recostada comigo, em templo,
por todas as coisas que me dão medo,
pelo filho que ainda não tive,
pelo ventre grávido de tudo,
pelo amor que nasce em meu seio,
pelo meu irmão, irmã, pais...
que ficaram a beira do caminho,
me sustentando em seus lamentos,
entre a luz do sol e a escuridão.
Materno todos, como materno a mim,
`as estrelas frutas de céu noturno,
árvore cadente,
`a beleza de vomitar também em beiras de caminho,
o que não necessita mais andar comigo,
`a beleza de deitar-me com a lua,
descansar nos olhos dela,
clarão de corpo comido de relva...
Para ir ter com meus pés,
lá, onde mora a bela dama.
lá, onde moram os meus medos.
lá, onde sou raiz em movimento.
lá, onde tem paixão e desassossego,
desejo e gozo de ser
mistério...
Vou, simplesmente vôo.
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