Aqui ainda será um lugar onde publicar poemas, fragmentos, palavras, trechos, intuições que nascem do exercício de atuar em minha própria vida o alargamento de ser outras. Todas as poesias nascidas "ao redor", provocadas por essa experimentação. Como num "querido diário", sem estardalhaço, ainda irei furtivamente entrar aqui, quando não couber em mim, quando precisar dizer para ninguém, para você, como quem entende que algo nunca termina, como quem deseja abrir baús, arquivos, versos de gaveta e dar-lhes um respiro, um sopro....como quem admira o estado de ser anônimo, despercebido, e poder declarar o que o coração ordena, sem a incoerência de querer ser aceita. Língua solta, ventre livre, verso sem verso, palavras escorrendo pelo desejo simples de revelar e existir.
...
Quando eu puder dançar com o medo
e de pernas abertas deixar que me atravesse o tempo,
o espaço, o momento, o instante, não temerei
mais a morte, terei realizado a palavra certa
o gesto, o amor, a união do que sou.
(Fecundação)
...
Uma mulher me espreita
deitada comigo, nua
Surge quando menos espero
e não me traz sorrisos gratuitos
Uma mulher me estreita
a sorridente forma de viver
espreme meus lábios das palavras idas
e anuncia em meus seios o que é viver
Uma mulher me lambe todo dia por sussurros
os desejos que cabem no meu cheiro
em meu descanso
na vontade mole de não fazer nada
e apenas me amar até segunda de manhã.
(Lua Nova)
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