miércoles, 23 de septiembre de 2015

Texto convite

Pré-estreia de "Fases"
Performance Poética
Dia 24 de Setembro (quinta-feira) Onde: Praia da Barra À iniciar: entre 16h e 17h Colabore: Com R$20,00 
depositados na Ag. 2816-9, CC. 47.226-3, 
Banco do Brasil, em nome de Adriana Gabriela.

Há alguns meses trabalhando em uma Performance Poética a beira mar, Adriana Gabriela, como autora e intérprete, e Martin Domecq, como roterista e diretor, vêm convidar vocês para compartilharem a pré-estréia de "Fases". Fases é o estado atual de uma pesquisa-aventura na qual, temos investido muito trabalho, afeto e paixão na busca de uma montagem de textos poéticos numa paisagem marinha de rochedos, ondas, pinaúnas, algas, bem-te-vis, que muda ao ritmo das marés e dos caprichos do tempo. Chegamos a um ponto no qual não poderíamos continuar sem compartilhar essa experiência com o público. Porém, para chegar a esse público também precisamos de caminhos alternativos. Dado que "Fases", por natureza, não se ajusta a um calendário convencional e previsível, não oferece as comodidades de uma sala teatral e também não pode ser comercializada como outros espetáculos. Dependemos de determinadas condições climáticas e de variação das marés, dependemos de um momento preciso do declínio solar no qual se precipita o pôr do sol. Por isso viemos primeiro pedir o apoio de vocês: amigos, parentes, pessoas próximas com uma sensibilidade e interesses que dialogam com nosso trabalho, para formar um grupo de espectadores (trinta pessoas), para compor a pré-estréia de “Fases”, no dia 24 de setembro (quinta-feira). Se houver algum contratempo climático o evento se adiará uma semana. Uma vez formado o grupo, vocês receberão uma confirmação com o local e o horário exato do encontro. O horário de início será entre as 16h e as 17h, a fim de aproveitar as melhores condições de iluminação para nossa proposta. A cada espectador pedimos a doação de um apoio mínimo de R$ 20,00 (vinte reais), a ser depositado em Ag. 2816-9, CC. 47.226-3, Banco do Brasil, em nome de Adriana Gabriela. Esse fundo servirá para custear produção, realizar e imprimir material de divulgação e montar um site do projeto. Nesse site estarão os nomes de todos vocês apoiadores que apostaram nesse processo criativo. Cada doador receberá no dia da apresentação uma lembrança: uma ilustração com um dos poemas de Fases. Nos envie um e-mail para fases2015@gmail.com contendo seus dados (nome e telefone) e o comprovante de depósito. Aguardamos o contato de vocês. Um grande abraço! Adriana Gabriela e Martin Domecq"

Temas a trabalhar relacionados com o convite mas de um modo geral com a comunicação...

Coloco todo no blog porque é parte do processo e dessa forma também é mais fácil para trabalhar ter todo nesse local...

  • O texto central acho ele muito longo... teríamos que resumi-lo ou tirar algumas linhas...

  • A imagem é bonita mas acho ela muito invadida pelos textos... Eu a deixaria sozinha a imagem nesse canto... sem poema e sem quadro de texto... a imagem é para ser contemplada para sugerir etc. deixar o leitor livre.. no espaço ganhado ao resumir o texto recolocaria as informações da contribuição...

  • A marca fases também ficou muito invadida para meu gosto... eu a deixaria sozinha com esse fundo branco.

  • Nos quadros bordo e azul deveria ir o texto da carta, do inicio ao fim... claro que resumido...

  • No quadro cor areia colocaria só a informação da contribuição e sua justificativa...

  • Não colocaria isso em uma rede social... nada de acompanhe-nos em... melhor assumir nós a comunicação desde a plataforma do site próprio quando esteja pronto e a partir dos mails ou cartas que enviaremos, todo mais pessoalizado.

Estava pensando que as comunicação com esse primeiro público devem seguir uma sequência. Temos que pensar não um, mas um conjunto de flyers. Dou um exemplo:

1) primeiro convite geral
2) segundo convite geral para lembrar e reforçar o convite um
3) primeiro comunicado geral agradecendo as contribuições e informando sobre a constituição provisória dos grupos
4) primeira comunicação parcial aos integrantes de cada grupo
5) ultimq comunicação parcial aos integtantes de cada grupo com recomendações para o dia da apresentação e a informação precisa sobre o dia e o local do encontro
6) comunicação geral post emcontro e convite para próximas datas...
Temos que ter esse conjunto preparado para aproveitar ao máximo cada comunicação e pensa-la como uma estratégia continuada no tempo para a divulgação de nosso trabalho...
Estou tentando não dormir agora para dormir profundamente essa noite.

Primeira versão convite

martes, 22 de septiembre de 2015

Palhaçada



martin, lembrei desse episódio ocorrido em minha última viagem ao Capão:

eram palhaços, e iam se apresentar na vila. Anunciaram durante o dia com megafone em bicicleta o que viria a acontecer mais tarde. À noite lá estava o "cartaz", escrito numa lousa preta em giz branco. O que me chamava atenção era a hora...o quando... tinha escrito assim "quando for a hora", ou foi "a qualquer momento"?...minha memória já me trai, mas tenho certo que a hora não era numérica, de relógio, exata. Queria vê-los. Amo odiando palhaços = ) E era uma galera boa onda que fazia comidas vegetarianas deliciosas num cantinho a meia luz, com esteiras no chão e chá de capim santo. Havia um músico também do coração grande que sabia conversar com a loucura, e a moça do sorriso sério. Foi ela quem me disse "quando for a hora", na hora exata em que perguntei simpaticamente "Quando vocês apresentam?", e deu aquele sorriso sério de quem se impacienta com quem se impacienta com o tempo. Eu já tinha visto o cartaz, eu já sabia que a hora não era exata, inclusive tinha achado tudo isso maravilhoso, não ter tempo para nada... tinha viajado desejando isso, contemplação, ritmo do desejo, comer quando se quer, falar quando se quer, amar quando se quer... "quer" é quando é a hora e há instinto nisso. A viagem não estava indo bem como desejava, muitas interdições.. queria ver os palhaços, mas não os vi. Não me lembro se tive sono, afinal tinha feito trilhas durante o dia e já era noite, ou se foi uma onda de "tudo é horrível" que me pegou, uma irritação qualquer, ou um ceder ao desejo do outro, neste caso, o companheiro que não estava afim de ver palhaços, ou que estava cansado, ou que estava atingido por uma onda de "tudo é feio", ou pelo desejo de se alojar romanticamente a parceira num quarto embalando o frio capônico. Sei que fui, deixei a vila e os palhaços que não vi.

A questão aqui é sempre o tempo. Só para isso contei essa bela história. = )))

Um bebê nasce quando é a hora...ou não, quando quer o médico. Eu não sei se estou o bebê ou o médico. Ambos residem em nós. Este, o que determina e prevê, com base em aprendizados técnicos, suposta coerência, prevenção de riscos e contemplação de relações capitalistas de gastos e contenção de dores arcaicas e humanas... e aquele, o bebê, que nasce. Simples assim, nasce porque está na hora, porque cresceu e se desenvolveu o suficiente para vir ao mundo.

Volto aos palhaços...os palhaços queriam ser bebês. Porque em geral queremos controlar o tempo. Então falta alguma coisa, algum nutriente, alguma liberdade, algum credo, alguma poesia, algum sentido de transformação maior, algum... descobriremos. Falta alguma coisa... sempre falta! Mas falta algumas coisa para cada momento e é preciso buscar, sabemos. Em arte tenho aprendido muito sobre tempo, tenho tentado nascer de modo natural, parir de modo natural e isso é uma rebeldia, isso exige muito, não necessariamente do meu desejo, mas da força desse desejo para se comunicar com as outras vozes em mim, a ansiedade, o medo, os julgamentos, e também das cobranças do entorno, do mundo materializado e que caminha a passo da medicina, do controle do tempo, das horas, dos editais! Ah, os editais. Me senti "ansiosada" em muitos momentos, por sua partida, pelo prazo de editais, pela qualificação etc. Tudo me levando a acelerar um processo interno que é muito mais celeste, lunar, marítimo e climático. Atravessar a dor, a dor profunda, o medo, o não saber, a cegueira, a pior versão de si mesma... sabe a gestalterapia? Não sei muito sobre, mas gosto muito da expressão "fechar uma gestalt", e também da expressão psicanálitica "elaborar"... não elaborei muita coisa, por isso escrevo tanto... mas falando sobre alma outra vez, a alma faz a lágrima cair e o desejo de viver rufar, gratuitamente. Há muitas forças operando neste campo, estamos imersas nela...há a materialidade da vida, a versão comercial da arte, há o como fazer o público acontecer, há a energia que cada um de nós dispõe enquanto corpo, enquanto ser, com suas vidas paralelas, com suas inquietações do não saber, do querer, do não querer...há a natureza e sua vida própria, há os deuses, Janaína, Iemanjá, Oxun Mabé nas águas, há os muitos seres ao nosso redor...há, há e há. Dentro de tudo isso, existe em mim um desejo, que é o desejo que me move em "fases", um desejo poderoso, e bom, talvez ele seja mesmo filosoficamente existencialista, o desejo de encontrar aí um pedaço "perdido?", "deslocado?", "estilhaçado?", de minha alma, aquela que faz cair a lágrima e a vida rufar. Autorização. Isso tem exigido muito... talvez seja encontrar essa outra máscara, sem a qual não posso seguir adiante. A máscara que carrega as emoções verdadeira que Alberto Caeeiro me contou um dia, que Clarisce Linspector me fez crer que existia, e que Frida me mostrou em cores e persistência. Busco essa renovação, esse renascimento, essa satisfação da expressão de uma ser sincero. Então atuar não se perde deste sentido, nem desta busca. Querer dizer do eco, do sussurro, do vislumbre, do que vamos sendo a cada momento. Nossas vidas pessoais não estão dissociadas da arte. Tudo é como vivemos. Drummond tem um verso assim:


"Não serei o poeta de um mundo caduco.
Também não cantarei o mundo futuro.
Estou preso à vida e olho meus companheiros.
Estão taciturnos mas nutrem grandes esperanças.
Entre eles, considero a enorme realidade.
O presente é tão grande, não nos afastemos.
Não nos afastemos muito, vamos de mãos dadas"

Não sei se crianças não experimentam as questões do porvir, e não sofrem com elas, eu sofria, mas com certeza experimentam o presente com gosto de tudo.

Obs: era pra ter um imagem de um artista que não sei o nome, uma imagem de um palhaço caminhando de bicicleta com um violão e balões...essa imagem é linda, ficou em minha memória, mas não a reencontrei, então vai a versão junguiana e surrealista das faces e do sentido de identidade que me move por hora:



Picasso e Frida

domingo, 6 de septiembre de 2015

Versão Final do texto de fases... Para ir revisando e corrigindo....

Fases






Textos: Adriana Gabriela
Roteiro: Martin Domecq
Imagens: pinturas e desenhos de Odilon Redon






Tenho fases, como a lua,
Fases de andar escondida,
fases de vir para a rua...
Perdição da minha vida!
Perdição da vida minha!
Tenho fases de ser tua,
tenho outras de ser sozinha.

Fases que vão e que vêm,
no secreto calendário
que um astrólogo arbitrário
inventou para meu uso.


(…)

Cecília Meireles, Lua adversa.



Estrutura de Fases:

Prólogo: coreografia
Primeiro bloco (introdução)
Segundo bloco (a lua)
Terceiro bloco (o feminino)
Quarto bloco (a poesia)
Quinto bloco (despedida)
Epílogo: coreografia

A estrutura compreende também: duas canções e três improvisações.

Canção 1 introduz eixo lua (e é retomada no final)
Canção 2 introduz eixo o feminino
Improvisação 1: “celebração” do presente.
Improvisação 2: redemoinho de versos e imagens.
Improvisação 3: improvisação de despedida.






** Prólogo **


Uma mulher aparece por trás de uns rochedos e caminha até a borda de um precipício. canta palavras inventadas que parecem lamentos, hinos ou gritos. (Essas palavras serão três. Serão retomadas ao longo da "peça" como transições, introdução, fechamentos...) Seus gestos transmitem abandono, sofrimento, renuncia, pesar, desespero e fúria... Parece que vai se jogar no mar. Porém sua tribulação se transforma pouco a pouco em um ritual de renascimento.

A mulher se dirige então à beira de uma piscina calma de águas salgadas onde improvisa

uma ode aos elementos, ás sensações, ao estar presente nesse lugar, nesse instante...

Improvisação 1. Celebração do presente.

Depois dessa abertura, pronuncia uma das palavras musicais inventadas. Essa palavra introduz os três textos do primeiro bloco.



** Primeiro **


Um coração grita por novos caminhos. Há nele adereços de melancolia. Ainda que a estrada aponte pra ida, há sempre uma volta, uma dor de partida, um caminho que volta. Por onde passa flores nascem. Outras tantas morrem... E o que é a estrada senão a andada em estações de vida-morte-vida? Já que a estrada é também fértil pelas flores mortas, meu coração cultiva, Outros campos, outras cores, outros sabores, Sob o falecer das flores idas. Em suave desapego Tudo nasce e renasce. Não duvido, A morte aduba a vida!

As manhãs chuvosas são meu melhor remédio. Posso tomá-las e chorar. Sano em água meu concreto barro seco, para ser lama entre vértebras cervicais. Gosto de Frida. Como ela... tenho coluna quebrada e verso. Há quanto tempo não sinto esse cheiro... esse cheiro de manhã, de me dar as mãos, de me ver no céu e no vento. Eu gosto da chuva. Como gosto! Sou ela caindo, gotejo.

Retornar, eis tarefa mais difícil! Lembrar de ser... não esquecer. A busca não é por poder, é por poder ser, mulher, num país de homens, num mundo masculino, em dias de guerra, a espera, letal. Morre-se muito, todo dia, morre-se muito, por covardia, morre-se muito, quadro nefasto... Angario flores no seio e ventre da mãe de tudo. Haverá um dia, e este dia é hoje, em que a alma feminina virá nos despir, virá nos vestir, de flores, de amores, de cores, de odores, de terra, de vida! Aí, almas renascidas, mulheres levantadas, homens em comunhão, andaremos juntos, Sequer pensando em armas, Sequer planejando dominação, Opressão, num jeito especial de fazer política, de fazer amor e de dizer não. Haverá um dia, e esse dia é hoje, em que a lentidão do gestar será nosso maior conselho. Pausar... Pousar os olhos, o corpo, no substrato da terra, na andança, na bem aventurança, no explícito inaudível, silêncio, E por ser lento, nos gestará em forma de... em formas de... Descobriremos! Renasceremos! Inauguremos uma nova era, Feminina, pausa ativa, Mulher!

Outra das palavras musicais serve agora como introdução para o segundo bloco que começa com uma canção.


** Segundo **

Canção 1


Eu tenho tanto medo Lua. Tanto medo. Parece que me perdi. Parece que fiquei do outro lado, onde ninguém pode me ver. Sombreada. Você me ilumina incrivelmente bela e eu não tenho seu domínio. São só nuvens e uma multidão que não posso compreender. Você me fascina e eu choro, choro por não compreender, sequer este mundo, quanto mais o seu, pedra que brilha luz. Pensar em astros não me faz mais luz. Pensar em ti, lua, me encarrega de querer saber mais, mais e mais sobre a vida, inconcebível. Bebo do seu veneno. É doce e amargo. Amarelo e negro. É ouro brilhando acima de luzes. São pequenas partículas em devoção e eu aqui, sem saber. Tenho medo. Me diz. Tenho medo, e muitas vezes nem sei o que fazer. Tenho medo de estar só. Não ser mais que um astro solitário. A brilhar, eu sei. Um astro solitário a brilhar, por traz de nuvens. Que sentido tem tudo isso? Você se põe e minha face é bela. Tudo que esperei rever. Como aquele domingo, dançando luz, céu, luar em mãos. A Ilha de Itaparica agradece as suas telas. Mal posso respirar se lembro dela. Luar caindo por traz de sol. Quanta poesia! Você me lembra que nem tudo é isso e eu te amo. Ficarei a noite inteira te vendo ir, descer farta, torta, guia maior das horas de sonolência, perfeita saúde em seu ser. Afrodite. Mistério de vida. Minha alma cativa quer fugir. Eiiihhh. Bola amarela, dissolve entre as nuvens formas mil. Some e aparece. Se deita em nuvens. Vira flecha. Me banha de pressa de te ver entrar no mar. Cortante. Atravessa. Cria pêndulo. Mistura-se. Tece ninho. Faz meu coração bater miúdo. Penso em te abraçar... e não tenho mais medo. Te espero curar minha lágrima com seu ardor de fogo. Incandescência que reluz em minha porta. Me abre. Transpassa em mim meu coração. Cadê ela? (Silêncio...) A lua desce. Sumiu.


Marés
Uma lágrima se aproxima de um verso porque cai sem sentido métrico mas cai poesia à espera sempre à espera de uma outra lágrima tal qual um verso que não se completa Quando rio Copiosa, tempestade salgada em mar as lágrimas são versos-desespero que não cansam, não cessam, não bastam são o texto perfeito para um fim de amor ou para uma carta de amor São di-ssolução É maré limpando água É o sim e o não de mãos dadas É contradição de maré que arrebenta o mar nas pedras, no cais, na beira... transbordando... transformando... pra trazer paz Por isso quando o olhar marejo sei é tempo de poesia porque poesia é de tanto em tanto água e sal feito lágrima, feito mar versos simples palavras simples que unem tudo aquilo que sentimos aos transcursos da maré É uma parte de nós que volta a fazer sentido como um gole de água cedido ao rio como um verso colocado ao fim do dia para acabar o poema... Melancolia.


Eu nasci em pé. Em pé de pedra, bruta flor. Eu rogo à Deusa que me tirou do mais profundo silêncio para vir ter aqui, junta a outras tantas flores e cipós.Peço desculpa, sou mal educada. (riso) Não me apresento de frente, apenas apareço Cândida, e este não é o meu nome.Ninguém de fato reconhecerá meu leito, dado apenas a outra face na morte, ou, para aqueles que crêem.Procure-a. Procure a sebenta, a divina espírita santa senhora, a mainha das horas. Converse com ela que de cá verá relampejante reluzente e amante luarada, luar, lunar, pedra de assombração. Aquela dor que dá em tudo e é foice, lua nova em bastão. Feiticeira minha, mulher. Nem sempre o dito é compreendido. Feche os olhos, sinta esse ar fresco, ouça essa multidão que não te deixa dormir... e deixe ela passar. Respire comigo um sopro profundo e chore, chore pra lavar sua visão.Estamos inteiramente em nós? Ou essa busca é tradição surrealista? As vezes eu acordo no meio da noite e vejo ela me olhando... ah...eu olho pra ela e não sei de nada, Apenas olho, porque ela me olha, noturnamente ela me olha e cobre meu corpo de luz. Estou possuída, passista de sonhos, vislumbre... estou viva, estou fértil.


É a dor da mãe, da mãe, da mãe, da mãe, da mãe, da mãe da minha mãe que eu choro. Essa dor é de toda a história que existiu até chegar a mim. Eu estudo essas histórias. Eu as vejo referenciada ao meu redor e me pergunto se houve vislumbres de ser feliz. Por trás de toda mulher forte existe um rio, que ampara e escoa cada lágrima deixada por ela, por tentar encontrar e retomar um pouco mais do espaço que lhe foi tirado, sua liberdade, sua doçura, seu ardor de viver e não apenas decepcionar-se. Como ser feliz apesar de? Como ser feliz andando num mundo perigoso, violento? Me preparo pra ser lua cheia iluminando a noite escura. Para questionar e transgredir sem culpa, e com responsabilidade, essa força de sombra consciente direcionada para a construção de um novo e próprio mundo. O poder das bruxas, do canto das sereias, que conduzem ao conhecimento das profundezas, que transmutam a dor, o apartamento da alma, a apatia, a frigidez, em gozo de conhecimento maior que ego, em sensatez de uma comunhão sincera, em paz de compreender os próprios atos, em assunção dos fracassos e fragilidades humanamente heróicos. Eis o retorno de Lilith do império da solidão. Eis a mulher suja de sangue e saliva empoderada pela liquidez de seus excrementos férteis; aquela que assume a palavra maldita, a palavra medo, a palavra gozo e assim pode assumir e gestar a palavra amor, pois já viveu e vive as dores gestadoras deste parto como força propulsora do nascimento em si de uma outra humanidade de face exposta e em comunhão com o mundo, rejeitado e esquecido, mais uma vez convidado a aparecer. Louvo à minha mãe, à mãe de minha mãe, à mãe da mãe de minha mãe, à da mãe da mãe  da mãe de minha mãe. Louvo às minhas antepassadas e à todas as mulheres presentes. Louvo às pequenas e às que virão. Louvo à mim. Louvo querendo aprender a ser mais feliz, por não suportar viver mais na subterraneidade de meus desejos.


** Terceiro **


Canção 2 (Letra e música Lila Downs)

Mujer de Dios / Mulher de Deus (para nós pode ser mulher da lua)
profeta de hierba / profeta de erva
mujer de la edad del tiempo / mulher da idade do tempo
que hace honor a los muertos santos / que honra os mortos santos
mujer de Dios / mulher de Deus (da Lua)
mujer de la obscuridad / mulher da escuridão
mujer de tiempos sagrados / mulher de tempos sagrados
diosa del mundo de muertos / deusa dos mortos
venas y carne, tu fruto ha crecido / veias e carne, teu fruto cresceu
la tierra tu sangre siempre beberás / a terra teu sangue sempre beberás
ía si'i ja nakani
ini nasa kóó-yo
ña'a ni kuu taninu
Capullo de algodón trae mi madre / botão de algodão traz minha mãe
que es la Diosa de sáama / que é a Deusa do amanhã
reina del sur dirección de la muerte / rainha do sul direção da morte
que bebe el agua verde / que bebe água verde
y de hongos copal y fuego / e com cogumelos resina e fogo
hace ofrenda a la madre muerta/ faz oferendas à mãe morta
que cuida este mundo mortal / que cuida esse mundo mortal
Nace de niebla y su monte cráneo y piedra / Nasce da névoa e seu morro crânio e pedra
Diosa de la tierra siempre vivirás / Deusa da terra sempre viverás
Y de hongos copal y fuego / e de cugumelos resina e fogo
hace ofrenda a la madre muerta /faz oferendas a mãe morta
que cuida este mundo mortal /que cuida esse mundo mortal
Nace de niebla y su monte cráneo y piedra / Nasce da terra e seu morro crânio e pedra
madre muerta... jina / faz oferendas à mãe morta
Diosa de la tierra, siempre vivirás. / Deusa da terra sempre viverás


Hoje veio me visitar um sentir de ser outra, a mulher que me assusta me entrelaçou com seu rabo de sereia. Serei eu? Será ela? E eu despi minha pele com delicadeza... peça por peça um mundo crescia em segredo... O avesso é o medo de olhar no fundo. Da matéria do mundo o meu corpo é feito. A escuridão é também o meu reduto. Se onde há sol, há sombra, de sol e sombra me completo. Sou encanto, sou solidão. Posso ferir ou ser aconchego. Eu sou má. Eu sou mar. Eu, a mulher que virá


A rua é minha. A casa é minha. O corpo é meu. A vida, ó Deusa, é minha. Reivindico. Tenho boca, e ela é enorme. Suspiro, Grito, sons de precipício, me lanço grave e aguda. Ando e caminho por onde quero e desejo. Tenho apenas início... (pausa)Vou ali olhar e é você quem me leva Nunca quis a coisa certa. Pra andar comigo, mínimo ser descoberta, entender de transfigurescência, das fases da lua... e se for de pedra, que role! Despreciso de permanência. Atravesso a bamba hora do não saber, becos e vielas, reentrâncias... naquilo que acham sujo estou. Não me convenço em ser adereço, Chuva viva sou Porque os rios também são meus, as praias, fortes e rebentos... O desgosto, o triste o feio, aceito todos, (pausa)e a morte... bela dama que sobe ao altar numa noite de lua crescente, é minha chama e vem orar recostada comigo, em templo, por todas as coisas que me dão medo, pelo filho que ainda não tive, pelo ventre grávido de tudo, pelo amor que nasce em meu seio, pelo meu irmão, irmã, pais... que ficaram a beira do caminho, me sustentando em seus lamentos, entre a luz do sol e a escuridão. Materno todos, (pausa)como materno a mim, às estrelas frutas de céu noturno, árvore cadente, à beleza de vomitar também em beiras de caminho, o que não necessita mais andar comigo, à beleza de deitar-me com a lua, descansar nos olhos dela, clarão de corpo comido de relva... Para ir ter com meus pés, lá, onde mora a bela dama. lá, onde moram os meus medos. lá, onde sou raiz em movimento. lá, onde tem paixão e desassossego, desejo e gozo de ser mistério... Vou, simplesmente vôo.



Depois de amar e amar e amar um pouco mais amar,
é como que depois de sofrer e sofrer e sofrer,
uma escolha triste,
desejo e medo,
dois papéis de parede,
insistentes.
Se por amor ou por temor,
vai que engraviste do que é teu,
não esqueça de ser renitente,
Nesse liquefaz de nutrientes que nem se sabe bem qual bem que tem,
pergunte-se com fervor, que quero parir?
Se é que há espaço para certezas lógicas...
Mas é sempre espaço para vontadear,
mesmo diante de esquisitices,
Aceite, mas pense em seu bem,
Você, dobrado ao meio, perdido no espaço,
com a garganta cheia de alguma coisa,
e as tetas, tetas!
Barriga nem se fala,
embrulhos de vislumbres,
marés de março em começos de sonho,
O corpo sente tudo.
Tsunami! Ânsia!
Quando será a hora?
De que?
Quem, quem, quem, quem?
O qu ê, o quê, o quê?
Preste atenção,
siga o rastro de seu olho
e vá parir.
Mas Como parir? Se até isso desaprendi.
Eu não sei o que se passa em meu corpo.
Eu perco poemas.
Eu reclamo dos dias.
Eu não sei exatamente o que fazer de minha vida.
Eu quero deixar alguma coisa boa na existência,
então deixo, para além de todo esse medo,
O ardor de ser movida pela vida
e suas estações.


Minha loucura não tem hora, Sai toda de mim E exige que eu me mova. Ela grita que os erros são todos meus! Os sonhos são todos meus! Meus caminhos, eu quem passo! Minha loucura não tem hora, Me empurra pra fora do muro, Me insulta em insinuações de covardia, Me manda pra boca do mundo... Minha loucura me faz sempre querer ir Pra um sem nome cheio de mistério.


** Quarto **


Depois do texto minha loucura (último texto do bloco 3) daria para se jogar na água...


Improvisação 2. Redemoinho de versos e imagens.


E o poema não saiu autêntico
pois tem-se que atravessar esquinas
fingindo ser normal
pois tem que se usar a língua
pra ser compreensível
e caber na métrica do dia-a-dia
Aí o poema não saiu autêntico
nem a voz
nem o corpo
nem o desejo
porque a voz, o corpo e o desejo
estão confiscados
como as reais palavras
confiscadas
como aquele beijo que você não deu
aquele sorriso, berro, cuspe, soco
incabíveis, ética anormal
Tudo tendo que caber
E não olhe para o lado
Não diga o que pensa
Não seja sincero
Não cante, jamais!
E se for dançar encontre logo uma coreografia
de preferência boa
E se for escrever, faça sentido
como um soldado
Escreva direito, ande direito, coma direito, sorria direito, fale direito, fume direito, ame direito, durma direito e de preferência não sonhe
Sonhar dá insônia e tem morfologia aérea
Mantenha-se firme na terra e só vá pra esquerda,
apenas,
no dois pra lá, dois pra cá
Mantenha-se em segredo
Tenha cuidado
Você não quer ser o palhaço ou levar um balaço, nem fazer estardalhaço
O mundo é perigoso, sorria
Ponha a sua máscara do dia e, de preferência, vá trabalhar!
E eu achando que a poesia era o último lugar de liberdade...


As águas que passam em mim
são rios que nunca cessam
Sou poeta só de ver
de sentir o que me desperta
Eu rimo, pra ficar engraçado
a vida que me leva
Eu sou rio e sorrio
porque as vezes faço o avesso da rima
crio frases longas, chego a lugar algum...
Mas sigo, verso sempre!
Insisto em ser poema
em ser
cada dia
dia após dia
a poesia que me cabe e me transborda
Por isso colho ventos pra mais tarde
revolvendo em mim as águas
e deixo o sol me despir de manhã
Tem vento que sopra lento
tem vento que Eparrê Iansã!
Olha a rima de novo!
Descabida e boba...?
Não importa
Não me importo
Meu verso é sempre de água
porque sou a própria água
sou do rio que posso ser
amo e bebo
do turvo, do límpido
do musgo, limo, lama
que me beiram e acompanham
Eu vejo o mundo, miro ele
e sendo rio, sou espelho
me derramo
sempre...
Às águas que nunca cessam...


Eu hesitei até o último segundo a fazer o que tinha. Preceito de morte. Presságio que depois da palavra dita, nada se acomodará. Há uma palavra: definifivamente. Ela é tão distante. Me diz nada e mata. Como alguma coisa pode te dizer nada e te matar? Como um tiro de bala perdida, ou tiro de agressão irremediável e imediata. Nunca consegui ser definitivamente. Definitivamente me mata e `a outras palavras tão boba e perenes quanto eu. Não posso ser definitivamente, ou qualquer coisa que defina estado, ser, relações de cortesia. Sou poesia inacabada. E até caberia um definitivamente aqui, mas não cabe, nem um ponto final.
A febre se dá por hesitação, ou pela tosse da pessoa ao lado `a remedar teus gestos cabalísticos. O homem tem fome de não ser definitivo e de não caber em nada, inclusive num verso, que nunca acaba. É a pausa, o silêncio para outra canção.
Por isso hesito ao que me soa como definitivo. Fecho portas apenas para abri-las mais tarde e me recompor dos ventos. Hesito, pois sei que estarei transformada ao final da página. Um começo diferente. Hesito pois tenho louvor e medo por tudo que está para nascer e me parece louco e sem sentido. Hesito, pois a morte requer seus ritos fúnebres de desapego e reencarnação. Hesito pois o plantado poderá ser flor que só dá em matagal, única e solitária. Hesito, pois a morte abre caminho para minha própria criação.


** Quinto **




Improvisação 3. Despedida.

Canção 1

jueves, 3 de septiembre de 2015

Tara e o sono das pedras




Aqui os links:

http://www.arttara.com/en/squat.html

http://www.arttara.com/en/like-the-sleep/36-hormouz-island.html

havia um vídeo também... mas não o encontro...

Ajustes

Segundo Bloco/ Parte do Terceiro

Lunática
Medos e confissões
Ausente, invisível, escondida, sombreada
Parte perdida
Lembranças felizes, nostalgias
Prisão narscísica a um momento refletido como pleno de alegria
Seguir adiante com a lua
A lua dança no céu outra coreografia
Acompanhar a lua, se abrir para um abraço
Abraçar tudo, ter o peito aberto ao todo
Onde está a lua?
Fora, dentro?
Ver a lua cair e sumir.. tornar maré.
Escutar, respirar
Incorporar essa maré
Falar com ela, com suas ondas e balanços
Com seus estardalhaços
Escorrer para a pedra
Tornar-se pedra
Respirar, Pausar
Preparar-se para nascer
Desde aí versar o nascimento
erguer, caminhar, olhar apenas para dizer que não é o nome
Chegar a pedra, amá-la
Conversar com a dama da noite
Cantar a canção
preparar-se para louvar e uivar
de pedra em pedra, pés firmes, pernas firmes
Dizer tudo preso na garganta
De pedra em pedra, levanta, caminha, avança
desce até próximo ao mar
Canta
Deixa nascer a mulher, cabelo, capa
Pega na mão dela que vem correndo e salta
na beira-mar
Para começar o redemoinho rap círculo