martes, 16 de agosto de 2016

Notas sobre O Imperador - O 4 ( A palavra - A respiração - O gesto - A denúncia)

O símbolo estava ali e olhava pra mim,
eu a ele,
mas nenhum dos dois sabia realmente o que via
ou aparentava o que realmente sentia
Havia uma porção de domínio no meio
uma necessidade de convencimento
de sensatez, de moral, de estar absolutamente construído
julgamento e punição
havia o passado no lugar do presente
havia as inquietações de praxe
máscaras percorrendo signos
transições desespontâneas de lugares
projeções, períodos longos de desestabilidade
trocas frenéticas de pensamentos, perspectivas,
de histórias que se constrói e se corrói em segundos de realidade

o fogo procura o que está nas alturas
o ar frio cede ao chão
o símbolo precisa ser determinado no sobe e desce dessas ilusões
ainda que temporário é ver e saber um mói
ainda que lhe atinjam todas as impermanências
um símbolo só será significado se cravado na consciência

De lá eu busco o amplo
de lá eu busco fragmentações
de lá eu trago olhos misteriosos pra desvendar mais opções
mas não é o mar só profundo
mas deixo o mar pra ser pedra
lavo e seco desse inconsciente um verdade ancestra:
viver requer osso
restos mortais que nos afirmam na vida eterna

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